Seção Perfil Miolo v.3: Marcela Bonfim

Nas imagens registros dos processos gráficos utilizados na composição das peças para a chamada aberta que também serão utilizados no nosso terceiro volume. Marcela Bonfim também integrará a seção “Perfil” no terceiro volume da revista.

O Prazo para a submissão: 12/08/2020
Para mais detalhes: bit.ly/miolo2019http://bit.ly/miolo2019

O vídeo contou com a colaboração de Marcela Bonfim < @bonfim_marcela > na composição do material sonoro que uiou a nossa edição.
Tratamento de som captação de Imagens: @joaommeirelles
Edição e Finalização: @korreya.correia
Direção de arte: @liavcunha

Marcela Bonfim

Formada em economia pela PUC-SP; Marcela Bonfim @bonfim_marcela , hoje, ativista pela causa das populações negras e povos tradicionais; era outra, até os 25 anos. Ela se considerava uma negra embranquecida, acreditava no discurso da meritocracia. Ouvia dos pais que se estudasse conseguiria ter um bom emprego e ser feliz. Também baseado nesse discurso criticava as políticas de ações afirmativas, como as cotas raciais, e dizia que eram mais uma demonstração de preconceito e racismo, palavra essa que não enxergava dentro da sua realidade.

Marcela vestia por cima da pele alguns disfarces para ser aceita. Na turma do colégio recebeu o titulo de a mais engraçada, era a palhaça da sala de aula, a mais risonha, e assim a economista levou a vida. Acreditou em um mundo possível, com portas abertas e livre circulação, sem nenhum impedimento. Mas ela se enganou e foi durante a busca pelo primeiro emprego que o mundo dela ruiu e os disfarces não funcionavam mais, a cor da sua pele agora estava amostra.

Já em Rondônia, para enfrentar sua negritude, Marcela comprou um máquina fotográfica e começou a fotografar homens, mulheres, crianças, jovens e velhos negros e negras na Amazônia em comunidades quilombolas, rituais de terreiros de candomblé, festejos religiosos, penitenciárias. O registro também buscou retratar o negro em seu emprego, na grande maioria exercido em atividades domésticas.

As lentes também captaram a resistência pela preservação da cultura e costumes e a beleza da estética negra. A fotografia foi um resgate da própria identidade de Marcela enquanto mulher negra e foi na Amazônia que ela “enfrentou” a cor de sua pele. (Brasil de Fato/ 2016)